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Renda Fixa

Safra aumenta aposta em NTN-Bs de médio prazo e vê oportunidade no “miolo da curva”

NTN-Bs 2032 e 2035

O Banco Safra Safra decidiu aumentar a exposição em títulos públicos de médio prazo, especialmente NTN-Bs com vencimento entre 2032 e 2035, após avaliar que o mercado entrou em uma nova fase do ciclo de cortes da Selic.

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A instituição financeira elevou para 40% do portfólio recomendado a participação desses papéis indexados à inflação, reduzindo ao mesmo tempo a exposição em títulos mais curtos. A estratégia reflete a visão de que o chamado “miolo da curva” pode oferecer os melhores retornos nos próximos anos.

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O tema NTN-Bs 2032 e 2035 ganhou destaque porque investidores passaram a buscar proteção contra inflação elevada ao mesmo tempo em que tentam aproveitar os possíveis cortes futuros da taxa Selic.

NTN-Bs 2032 e 2035
NTN-Bs 2032 e 2035

Por que o Safra aumentou posição em NTN-Bs 2032 e 2035

Segundo o relatório divulgado pelo Safra, o movimento acontece porque o banco acredita que o fechamento da curva de juros tende a migrar do curto prazo para os vencimentos intermediários.

Na prática, isso significa que títulos com vencimentos entre 2032 e 2035 podem se valorizar mais caso os juros caiam gradualmente nos próximos anos.

A estratégia acontece após o Copom realizar o segundo corte consecutivo da Selic em abril, reduzindo a taxa básica de 14,75% para 14,50%.

Como ficou a nova carteira recomendada do Safra

A nova distribuição de renda fixa ficou organizada da seguinte forma:

  • 40% em NTN-Bs 2032-2035
  • 30% em NTN-Bs 2028-2030
  • 20% em LFTs 2030-2031
  • 10% em LTNs jan/28 e jul/28

Além disso, a NTN-B 2050 permanece apenas como posição complementar devido ao maior risco fiscal associado à duration longa.

NTN-Bs seguem pagando juros reais elevados

O Safra destacou que as NTN-Bs intermediárias continuam oferecendo taxas reais bastante elevadas.

Segundo o relatório:

  • NTN-B 2032 negocia próxima de 7,76%
  • NTN-B 2035 opera entre 7,57% e 7,60%

Esses papéis oferecem prêmio entre 190 e 300 pontos-base acima do chamado juro real neutro estimado pela instituição.

O que significa “miolo da curva”

O termo “miolo da curva” se refere aos títulos intermediários da curva de juros.

Eles ficam entre:

  • Papéis de curto prazo
  • Títulos muito longos

Segundo os analistas do Safra, é justamente nessa região que pode surgir o principal vetor de ganho durante o segundo estágio do ciclo de cortes da Selic.

Inflação elevada fortalece interesse por NTN-Bs

Outro ponto importante para a estratégia do Safra é o avanço recente das expectativas de inflação.

O relatório mostra que:

  • A mediana do Focus para o IPCA subiu de 3,93% para 4,91%
  • O IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4,39%
  • O petróleo Brent segue próximo de US$ 110 por barril

Esses fatores aumentam o interesse por títulos indexados à inflação.

Petróleo e cenário internacional preocupam mercado

O conflito envolvendo o Irã também aparece como fator importante na análise do Safra.

Segundo o banco, o petróleo elevado pode pressionar ainda mais a inflação global, dificultando cortes agressivos de juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

Além disso, o Federal Reserve manteve os juros americanos entre 3,50% e 3,75%, embora a decisão tenha apresentado divergência entre membros do comitê.

Safra evita prefixados longos

Mesmo aumentando exposição em NTN-Bs intermediárias, o Safra continua evitando títulos prefixados muito longos.

Segundo os analistas, o risco fiscal brasileiro ainda representa a principal ameaça ao mercado de renda fixa.

O relatório afirma que a abertura recente da curva de juros longos reflete preocupação crescente com:

  • Risco fiscal
  • Endividamento público
  • Cenário eleitoral futuro

Dívida pública segue pressionando mercado

O Safra destacou que a Dívida Bruta do Governo Geral ultrapassou 80% do PIB em março.

Segundo projeções do Tesouro:

  • A dívida pode chegar a 83,6% do PIB em 2026
  • O pico pode atingir 88,6% em 2032

Isso aumenta as preocupações sobre sustentabilidade fiscal de longo prazo.

Inadimplência também começou a subir

Outro fator observado pelo Safra foi o aumento recente da inadimplência no sistema financeiro brasileiro.

O relatório mostra que:

  • A inadimplência total subiu para 4,33%
  • Pessoa física no crédito livre chegou a 7,03%
  • Micro e pequenas empresas atingiram 6,01%

Esses números mostram primeiros sinais de desaceleração no crédito doméstico.

NTN-Bs voltam ao radar dos investidores

Com juros reais elevados e inflação ainda pressionada, as NTN-Bs voltaram a ganhar destaque entre investidores brasileiros em 2026.

Os títulos são vistos como alternativas interessantes porque oferecem:

  • Proteção contra inflação
  • Ganho real acima do IPCA
  • Potencial de valorização com queda da Selic

Por isso, muitos investidores passaram a olhar novamente para vencimentos intermediários.

Vale a pena investir em NTN-Bs agora?

Especialistas afirmam que o momento pode ser interessante para investidores com foco no longo prazo.

Porém, NTN-Bs possuem volatilidade e podem oscilar bastante dependendo do cenário econômico.

Por isso, o ideal é avaliar:

  • Perfil de risco
  • Horizonte de investimento
  • Necessidade de liquidez

Conclusão

A decisão do Banco Safra Safra de aumentar exposição em NTN-Bs 2032 e 2035 reforça a visão de que o mercado entrou em uma nova fase do ciclo de juros no Brasil.

Com inflação ainda elevada, risco fiscal crescente e expectativa de cortes graduais da Selic, os títulos intermediários passaram a ser vistos como uma das regiões mais atrativas da curva de juros.

Ao mesmo tempo, o cenário segue exigindo cautela dos investidores, principalmente diante das incertezas fiscais e do ambiente internacional mais turbulento.

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