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Santander Brasil tem 1T26 fraco e BTG mantém cautela com lucros à frente

Santander Brasil resultado 1T26

O Santander Brasil iniciou a temporada de resultados dos grandes bancos com um desempenho abaixo do esperado no primeiro trimestre de 2026. Os números reforçaram uma visão mais cautelosa por parte do BTG Pactual, que manteve recomendação neutra para as ações, mesmo diante de um potencial de valorização.

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O resultado financeiro do banco mostrou sinais de pressão tanto na rentabilidade quanto na qualidade da carteira de crédito. Esse cenário levanta dúvidas sobre a capacidade de crescimento dos lucros nos próximos trimestres, especialmente em um ambiente macroeconômico ainda desafiador.

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Diante disso, o tema Santander Brasil resultado 1T26 ganha destaque entre investidores, principalmente pela combinação de lucro abaixo do consenso, aumento da inadimplência e mudanças na liderança da instituição.

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Lucro abaixo do esperado pressiona percepção do mercado

O Santander Brasil registrou lucro líquido de R$ 3,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026. O número representa uma queda de 7% em relação ao trimestre anterior e recuo de 2% na comparação anual.

Além disso, o resultado ficou cerca de 6% abaixo das expectativas do mercado, o que reforçou o tom mais cauteloso dos analistas. O retorno sobre o patrimônio (ROE) foi de 15,6%, também abaixo de períodos anteriores.

Um dos fatores que impactaram o resultado foi a normalização da alíquota de imposto, que ficou em 15%, comparado a apenas 2,6% no trimestre anterior — considerado um nível atipicamente baixo.

BTG mantém recomendação neutra para as ações

Mesmo com o desempenho mais fraco, o BTG Pactual manteve recomendação neutra para os papéis do Santander Brasil.

O banco definiu preço-alvo de R$ 35 para os próximos 12 meses, o que representa um potencial de valorização em relação à cotação atual próxima de R$ 29,42.

No entanto, os analistas destacam que será difícil expandir os lucros a partir do nível atual, principalmente diante dos desafios operacionais e do cenário de crédito.

Carteira de crédito mostra fraqueza

Um dos principais pontos negativos do resultado foi o desempenho da carteira de crédito.

Os empréstimos ficaram praticamente estáveis no trimestre e cresceram apenas 3% na comparação anual, ritmo considerado fraco em relação aos concorrentes.

A carteira de pessoa física recuou 1%, enquanto os créditos para empresas e PMEs ficaram estagnados. Apenas o segmento de financiamento ao consumo apresentou leve crescimento de 2%.

Esse cenário pressiona a margem financeira, que caiu 1% no trimestre.

Inadimplência preocupa analistas

Outro ponto de atenção é o aumento da inadimplência.

O índice de atrasos acima de 90 dias subiu para 3,9%, com destaque para o crescimento nos segmentos de pequenas e médias empresas e pessoas físicas.

A formação de inadimplência atingiu R$ 7,2 bilhões, com alta de 8% no trimestre e 3% no ano.

Apesar disso, as provisões para perdas ficaram abaixo desse nível, com cobertura de aproximadamente 95%, o que pode indicar necessidade de ajustes futuros.

Provisões podem aumentar nos próximos trimestres

Segundo os analistas, o atual nível de provisões pode não ser sustentável.

Mudanças nos prazos de reconhecimento de perdas e a deterioração da qualidade dos ativos, especialmente em grandes empresas, podem exigir aumento nas provisões.

Isso tende a impactar diretamente os resultados futuros, reduzindo a rentabilidade do banco.

Mudanças na liderança aumentam incerteza

Outro fator que adiciona complexidade ao cenário é a troca no comando do banco.

O atual presidente deixará o cargo, com um novo executivo assumindo a liderança. Além disso, houve mudança recente na diretoria financeira.

Esse período de transição reduz a visibilidade sobre a estratégia futura da instituição, aumentando a cautela dos investidores.

Desempenho das ações e comparação com concorrentes

As ações do Santander Brasil acumulam desempenho cerca de 20% inferior aos principais bancos privados no ano.

Mesmo negociando a aproximadamente 1,15 vez o valor patrimonial, o banco ainda enfrenta desafios para recuperar a confiança do mercado.

Entre os grandes bancos, o Itaú Unibanco segue como a principal recomendação de compra do BTG, enquanto o Santander permanece com visão mais neutra.

Perspectivas para os próximos meses

O cenário para o Santander Brasil continua desafiador.

A combinação de crescimento fraco da carteira, aumento da inadimplência e possível elevação das provisões sugere que o banco pode enfrentar dificuldades para expandir seus lucros.

Caso essas tendências se confirmem, revisões negativas nas estimativas de resultado podem ocorrer ao longo do ano.

Conclusão

O Santander Brasil resultado 1T26 reforça um cenário de cautela para investidores.

Apesar de manter fundamentos relevantes, o banco enfrenta desafios importantes que podem limitar o crescimento no curto prazo.

A visão mais conservadora do mercado reflete não apenas o desempenho recente, mas também as incertezas sobre a evolução dos próximos trimestres.

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